Os delegados da Seccional São Mateus promoveram, no último dia 8, um encontro com autoridades locais para discutir os principais problemas de Saúde que afligem a população e os médicos do município e região.

Entre os temas em debate, as condições para fazer o mutirão que pretende reduzir a fila por cirurgias eletivas, deficiências para a realização de alguns exames mais elaborados, quantidade reduzida de médicos, dificuldade de atendimento de urgência e emergência no período noturno e falta do serviço de atenção primária de saúde.

Participaram do encontro, pela Seccional, os delegados Dr. Itamar Soares Dias (presidente da Delegacia de São Mateus), Dr. André Ideraldo Andreazi Goltara, Dra. Rafaela Figueira Caetano Azevedo e Dr. Nilton Sodré Fundão. Entre os profissionais e autoridades convidadas presentes, estavam o Superintendente Regional de Saúde de São Mateus, Edilson Morais Monteiro, a subsecretária de Saúde de São Mateus, Jucimara Alves Feliciano, a responsável Técnica do Hospital Roberto Silvares, Dra. Valéria Luduvino Pires, o responsável Técnico do Hospital Meridional São Mateus, Dr. André Carvalho Pinto, o responsável Técnico da Unidade de Terapia Renal Substitutiva de São Mateus, Dr. Rafael Cruzeiro Teixeira de Siqueira, e a Secretária do Centro Regional de Especialidades (CRE), Valéria Silva Colombi.

Cada um dos presentes apresentou um quadro das instituições que representam. O responsável técnico do Hospital Meridional, Dr. André Carvalho Pinto, falou do convênio com o SUS que garante o atendimento por serviços de tomografia e infectologia, e da intenção do hospital de oferecer serviços de oncologia e hemodinâmica. Ele disse estar em contato com autoridades governamentais para viabilizar esses últimos serviços. Por outro lado, Dr. André admitiu dificuldade para atender algumas especialidades de urgência e emergência, especialmente no período noturno.

A responsável Técnica do Hospital Roberto Silvares, Dra. Valéria Luduvino Pires, falou que o hospital voltou a ter um pronto-socorro nas dependências do hospital (antes estava funcionando em um prédio fora da unidade hospitalar). Além disso, está realizando um mutirão de cirurgias eletivas, para atender a demanda reprimida, em especialidades como cirurgia geral, urologia, otorrinolaringologia e cabeça e pescoço, vascular e proctologista.

Segundo o superintendente Regional de Saúde, Edilson Morais Monteiro, a Superintendência abrange 14 municípios. Para dar conta da demanda por exames e atendimento médico, a Secretaria de estado da Saúde (Sesa) tem adotado a contratação por credenciamentos. Ele explicou que o atendimento oncológico para a região norte é ofertado nos municípios de Linhares e Colatina, com casos mais complexos encaminhados para Vitória.

Justificativas

Edilson Morais Monteiro ressaltou que é importante o fortalecimento da atenção primária de saúde em São Mateus, que se faz necessária a ampliação da cobertura de atenção básica na cidade para que não ocorra uma sobrecarrega no atendimento de urgência e emergência do Estado no hospital Roberto Silvares. “Precisamos ter uma porta aberta no município para urgência e emergência”, acrescentou, depois de informar que a UPA de São Mateus foi desmobilizada devido a consolidação de queda nas internações de pessoas acometidas pela Covid-19.

A subsecretária de Saúde de São Mateus, Jucimara Alves Feliciano, representou o Secretário de Saúde, Henrique Luis Follador – ele estava em uma outra agenda, com o delegado Geral da Polícia Civil do Estado, José Darcy Santos Arruda, e o deputado Estadual Freitas, tratando de assuntos relacionados à implantação do Polo de Perícia Técnica, inclusive o IML, em São Mateus. Jucimara disse depender de uma reunião com representantes do Estado para definir a situação da UPA. Segundo ela, o município está iniciando um trabalho para tentar estruturar a atenção primária, mas sofre com problemas, como a falta de médicos em nove unidades de Saúde.

Sobre a porta de entrada de pacientes de urgência e emergência, o município há décadas já deveria ter estruturada a rede, conforme a subsecretária. No entanto, vários municípios que captaram os recursos e construíram as UPAs não conseguem o recurso financeiro necessário para custear os serviços relacionados, mesmo com as habilitações, lembrou ela.

No caso de São Mateus, o Estado está devolvendo o equipamento ao município e este deverá utilizar o espaço mais amplo e moderno, após as reformas necessárias e a entrega definitiva do imóvel pelo governo estadual, previsto para final de dezembro deste ano. “Estamos iniciando o processo de habilitação, mesmo sem o início das atividades para adiantar todo o processo de captação do recurso financeiro. Estamos discutindo as várias providências que o município deverá adotar para começar a funcionar, como a classificação de risco, a contratação de médicos e de AASG, entre outras várias providências necessária”, disse a subsecretária.

Apesar de entender a necessidade de estruturação das portas de acesso da população, viabilizar o recurso financeiro para custear equipamentos dessa natureza, segundo Jucimara, é uma dificuldade para a maioria dos municípios do Brasil.

Com relação à falta de profissionais médicos nas unidades de saúde, ela disse que o problema é fator que a gestão municipal não consegue mitigar porque não pode obrigar o profissional a atuar em um local que ele não quer. A subsecretária, no entanto, informou que São Mateus já está com a habilitação de nove médicos que serão disponibilizados pelo Ministério da Saúde pelo Mais Médicos, previstos para serem disponibilizados a partir da segunda quinzena de novembro. Novamente, segundo Jucimara, o município aderiu ao edital do Processo do Instituto Capixaba de Ensino, Pesquisa e Inovação (ICEPi), com 2 vagas, “para o qual estamos aguardando se haverá interesse para ocupação das vagas”, também para a segunda quinzena de novembro.

Muitos dos médicos das Estratégias de Saúde de São Mateus estão saindo por oportunidades mais ousadas e também para a conclusão de residência médica, informou a subsecretária. “O município adota todas as medidas necessárias à captação dos profissionais, mas não consegue retê-los devido a esses problemas.”

Por fim, o próprio secretário municipal de Saúde, Henrique Luis Follador, listou uma série de ações da administração de São Mateus ao longo dos últimos três anos, como a implantação dos programas Samu 192, Melhor em Casa, Consultório de Rua, além da Ampliação da RAPS, com atendimentos psicológicos descentralizados nas unidades de Saúde, Habilitação do Caps AD após 12 anos de funcionamento sem repasse dos recursos financeiros pelo Ministério da Saúde, ampliação da cobertura de APS no município, construção da Unidade de Saúde do Seac, reformas das unidades de saúde, ampliação da frota de veículos, reforma e ampliação da US3, entre outras melhorias que não foram paralisadas ou deixadas de implantar em decorrência da pandemia pela Covid-19. Ele ressaltou também todo o processo de enfrentamento à pandemia e, agora, o processo e estruturação das Salas de Vacina e da Central de Imunização do Município, com equipamentos modernos e tecnologia de ponta.

Outro presente à reunião, o responsável Técnico da Unidade de Terapia Renal Substitutiva de São Mateus, Dr. Rafael Cruzeiro Teixeira de Siqueira, disse que tem tentado atrair médicos para a cidade.

Durante a reunião, foram apontados vários outros problemas que atingem a região, como a questão que envolve o encaminhamento de gestantes de alto risco para Colatina.

Reunião em SM

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