Trabalhar por produtividade é colocar em risco a qualidade do atendimento e aumentar a possibilidade de erro de diagnóstico, com danos ao paciente e ao médico

A despeito das justas reclamações da população contra o gargalo de atendimento no PA do Trevo de Alto Lage, em Cariacica, e das acusações absurdas do Prefeito de Cariacica contra médicos que atendem naquela unidade, o CRM-ES esclarece que a Prefeitura condicionar a melhoria da remuneração do médico e, portanto, a melhoria do atendimento, ao aumento da produtividade, é, claramente, antiético já que a medicina não pode ser tratada como linha de montagem.

O CRM-ES rebate, também, a acusação do prefeito Juninho de que a administração não conta com médicos para atender na unidade de Alto Lage porque os profissionais faltam ao plantão, deixando a população desassistida.

O presidente do CRM-ES, Celso Murad, foi à Unidade de Alto Lage e constatou que a escala de plantão da pediatria, que é o maior gargalo de atendimento no local, está completa durante a semana, sem registros de falta e com os médicos cumprindo integralmente a carga horária contratual. O problema está nos finais de semana porque a Prefeitura não tem em seu quadro funcional profissionais contratados em número suficiente, por questões que estão além da remuneração, como falta de segurança, triagem por classificação de risco e condições técnicas de trabalho. Essa informação foi constatada junto com a administração da unidade.

No que diz respeito à contratação temporária de médico para completar o quadro de plantonista, o CRM-ES também constatou, na própria unidade de saúde que, há pelo menos três meses, a Prefeitura não paga aos profissionais autônomos pelos plantões cumpridos.

Sobre a declaração do Prefeito de que o médico de Cariacica chega a receber até R$ 20.000,00, o CRM-ES está de posse de cópia do Edital do concurso da PMC em que consta como salário base R$ 2.576,00. Fazendo uma conta simples, o valor médio recebido pelo profissional, incluindo o salário bruto, a gratificação por produtividade e a remuneração paga por insalubridade, não chega a R$ 8.000,00 brutos, para 24 horas semanais.

O CRM-ES chama a atenção, ainda, para o fato de que a média da remuneração citada acima não é fixa, pois em períodos de baixa demanda e de férias, por exemplo, o valor pago chega a ficar próximo ao salário base.

A atual política de remuneração da PMC na área de saúde, principalmente dos médicos, fez com que, nos últimos anos, a hora médica trabalhada perdesse 50% do seu valor. Com isso, a Prefeitura não consegue atrair novos profissionais.

Mais uma vez o CRM-ES alerta a população capixaba e as autoridades que o problema de saúde pública é de gestão, em todas as instâncias de poder, e não do médico.

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