O anúncio da liberação de recursos para serviços do SUS no Espírito Santo foi feito pelo ministro da Saúde, Ricardo Barros, no dia 4 de janeiro, durante encontro com entidades representativas da categoria médica, prefeitos e gestores de saúde, no Auditório do Conselho Regional de Medicina do Estado do Espírito Santo (CRM-ES). Antes, o ministro visitou as instalações do Hospital Infantil Nossa Senhora da Glória, localizado em Vitória.

Os R$ 43,7 milhões a serem liberados pelo Ministério da Saúde ao Espírito Santo irão custear serviços hospitalares e ambulatoriais, entre eles, 12 voltados à assistência de gestantes e bebês e sete em atendimento odontológico. Também estão previstos recursos para seis serviços da rede de urgência e emergência, incluindo SAMU 192, cinco serviços especializados em alta complexidade, entre outros.

Hospital Infantil

O Hospital Infantil Nossa Senhora da Glória recebe do Ministério da Saúde recurso anual de R$ 4,8 milhões, relativos à Rede de Urgências e Emergências. O Hospital oferece serviços de atenção básica, urgência e emergência, além de procedimentos eletivos e ambulatoriais de média e alta complexidade. São 268 médicos para atender especialidades como neurologia e neurocirurgia, infectologia, traumato-ortopedia, oncologia, hematologia, pediatria geral, cirurgia pediátrica, ortopedia pediátrica, clínica médica pediátrica, neonatologia, entre outros.

Após a visita ao Hospital, o ministro se reuniu, no Auditório do CRM-ES, com os representantes da classe médica, bem como com o vice-governador César Colnago, o secretário de Estado da Saúde, Ricardo Oliveira, os novos prefeitos e secretário municipais da Saúde da Grande Vitória, a senadora Rose de Feiras, o deputado federal Lelo Coimbra, os deputados estaduais Hércules Silveira e Luzia Toledo e vários outros representantes de serviços de saúde da Grande Vitória.

Na ocasião, o ministro assinou um contrato de repasse de R$ 1,5 milhão, emitido pela Caixa Econômica Federal (CEF), por meio de emenda parlamentar de iniciativa da senadora Rose de Feiras, para reforma do pronto-socorro do Hospital Infantil Nossa Senhora da Glória.

Para o presidente do CRM-ES, Carlos Magno Pretti Dalapicola, a visita do ministro Ricardo Barros foi produtiva porque mostrou que as ações e lutas das entidades médicas estão surtindo efeito e foi possível mostrar, pelo menos, a precária situação de um dos vários hospitais públicos que enfrentam sérios problemas no Estado. “Nossas reivindicações são amplas e se estendem a melhores condições de trabalho em todas as unidades públicas de atendimento. E vimos com preocupação a decisão do ministério com relação à redução do número de médicos nas UPAs. Vamos continuar a dialogar com o ministro e lutar por ações que, de fato, melhorem o atendimento médico para a população capixaba”, resume Carlos Magno.

Ainda na reunião realizada na sede do CRM-ES, o presidente do Sindicato dos Médicos do Espírito Santo (Simes) e também da Federação Nacional dos Médicos (Fenam), Otto Baptista, entregou uma carta ao ministro Ricardo Barros mostrando a preocupação e a insatisfação da classe médica com relação à redução do número de médicos nas UPAs. Veja abaixo a íntegra da carta.

          

CARTA AO MINISTRO DA SAÚDE

Excelentíssimo Senhor Ministro,

Recebemos com extrema preocupação a sua decisão de diminuir o número de médicos nas UPAs, pois a realidade a que o senhor se refere não é esta. Convidamos o senhor para acompanhar um plantão médico de 12 horas numa UPA, talvez não precise 12 horas, digamos 6 horas, quem sabe 4 horas, pois bem acordemos a sua presença em apenas 30 minutos, este tempo é o suficiente para se constatar a necessidade insubstituível do trabalho médico.

In loco” o senhor se certificará que precisamos aumentar o número e não diminuí-lo. O senhor verá centenas de pacientes que acorrem às UPAs a procura de um médico, para minorar a sua dor, tratar e resolver o seu problema de saúde e que muitas vezes não encontram ajuda ou esse atendimento demora horas. O senhor sabe por que? Porque faltam médicos. Os médicos, Senhor Ministro, na esmagadora maioria das UPAs, trabalham em precárias condições.

A infraestrutura é lamentável: exames laboratoriais e Raio X, ferramentas básicas, rotineiramente estão ausentes, ultrassonografia e tomografia são luxos quase sempre distantes. Suporte de especialidades que são indispensáveis em qualquer serviço médico, consegui-los é uma batalha a ser vencida, referência e contra referência funciona no papel ou na tela do computador. Conseguir um leito hospitalar é uma façanha, que é comemorada pelo médico plantonista como uma grande vitória. Medicamentos reduzidos e de qualidade questionável são de fácil constatação. Pacientes infartados ou politraumatizados, nos 30 minutos que o senhor acompanhar o plantão, encontrará vários, poderá inclusive, talvez, presenciar uma morte, pois se o atendimento em nível terciário demorar ou se a ambulância estiver atendendo a outro paciente, esses óbitos não são isolados e nem raros.

Senhor Ministro, durante as madrugadas, nas UPAs de todo o País encontraremos o médico e a enfermagem. Nestas altas horas o médico está só, lá não está o Prefeito, lá não está o Governador e lá não está o Ministro da Saúde. Lá está o médico, com seu paciente e familiares. Ele, naquele momento, é o SUS, é o Gestor, porque todos os que realmente são responsáveis estão recolhidos em seus lares, bem longe dos problemas do SUS. Nem vou me referir aos salários defasados, porque este não é o objetivo e nem o momento e local apropriados. Estou falando da precariedade do atendimento à população que são os nossos pacientes, função social da qual não abrimos mão.

Console-se Senhor Ministro, este descaso com a saúde da população não iniciou na sua gestão, vem de outros governos, o que o senhor está fazendo é apenas agravá-lo. A Federação Nacional dos Médicos que legitimamente representa os 430 mil médicos brasileiros, solicita-lhe rever esta decisão de diminuir os médicos das UPAs. Se possível, aumente o número para privilegiar a população brasileira.

                                                 

Brasília-DF, 30 de dezembro de 2016.

 

OTTO FERNANDO BAPTISTA

Presidente da Fenam

 

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