Mesmo após a Justiça decretar a ilegalidade da greve dos médicos legislas que estava marcada para o último domingo (16), cujo descumprimento pode acarretar em prisões, a categoria não descarta parar. Os médicos legistas iniciaram uma operação-padrão e uma reunião foi realizada na tarde do dia 17 entre o Sindicato dos Médicos do Espírito Santo (Simes) e a Secretaria de Estado de Gestão e Recursos Humanos (Seger) para discutir as reivindicações dos profissionais, mas nada de concreto foi acordado. 

Os legistas, que têm um salário inicial de R$ 3,8 mil reais, de acordo com o presidente do Sindicato Otto Batista, reivindicam equiparação salarial com os médicos lotados na Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), que ganham em torno de R$ 8,5 mil iniciais, além de reforço no quadro de profissionais. 

De acordo com o Simes há uma defasagem na contratação de mão de obra na última década. Atualmente são 35 profissionais para atender todo o estado do Espírito Santo estando seis na iminência de aposentadoria – enquanto o ideal seriam 78. 

Em conversa com a reportagem, Batista se mostrou tremendamente revoltado após conversas com o secretário de Estado de Gestão e Recursos Humanos, Pablo Rodnitzky. “A reunião não deu em nada, foi uma frustração. O secretário não estava preparado pra negociar com a gente, pois aparentemente não tinha noção de um processo que já dura mais de dois anos. Demos 24 horas para que ele nos dê uma resposta. Não vamos medir as consequências do funcionamento do DML (Departamento Médico Legal) caso nossas reivindicações não sejam atendidas, desabafou o presidente do Simes.

Além de lamentar os rumos da negociação, Dr. Otto Batista também alegou que a categoria sofre assédio moral constantemente da polícia e que o governo pretende enrolar os legistas até a próxima eleição do sindicato. Estamos em uma irritação incontrolável. Sabem que temos uma eleição no dia 04 de abril e pelo que parece existe uma intenção de dar uma barrigada para transpor esse prazo. Essa será a pior estratégia do governo Renato Casagrande, afirmou.

A Secretaria de Estado de Gestão e Recursos Humanos informou que atendeu a reivindicações que beneficiaram todas as categorias da Polícia Civil em 2013, dentre elas, a incorporação de escalas especiais onde os médicos legistas foram contemplados. As outras demandas da categoria foram recebidas e continuam sendo analisadas, observando a complexidade e as especificidades inerentes às carreiras da Polícia Civil”. A Seger enfatizou ainda que está aberta ao diálogo.

Desabafos de profissionais lotam o site do Simes

Não é difícil encontrar no site do Sindicato dos Médicos do Espírito Santo relatos de profissionais que dizem estar no ápice da crise e no limite do caos. Segundo uma publicação feita no último dia 12 de março existe somente 15 legistas para atender a Região Metropolitana da Grande Vitória, que possui quase dois milhões de habitantes, e é considerada a 16ª região mais violenta do mundo de acordo com estudos de uma organização não governamental do México – Seguridad, Justicia y Paz – que são baseados em dados de homicídios para cada 100 mil habitantes no ano de 2012.

Na publicação é revelado que em determinados plantões, um único médico legista chega a se revezar em quatro salas para prestar atendimentos e que “o nível de pressão para um trabalho meticuloso e de altíssima importância tem esgotado a categoria, especializada em emitir pareceres que serão decisivos para condenação de um agressor”. São realizadas cerca de 300 autópsias por mês e os laudos em pessoas vivas, mensalmente, chegam a 2,5 mil.

 

Fonte de consulta: Simes, com atualização feita pelo CRM-ES

 

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